1. APRESENTAÇÃO

À medida que avança o século XXI, vão se tornando mais claros os contornos das situações linguísticas e culturais que, em poucas décadas, condicionarão os países da América do Sul e de outras partes do mundo, no cruzamento entre a globalização da economia, a conformação de blocos e organizações internacionais (Mercosul, Unasul, Celac etc.), as migrações internacionais, as alterações no conceito de fronteira, a emergência de identidades antes minorizadas, a internacionalização das línguas, a comunicação em redes de alcance remoto via Internet, as reformas educacionais, entre outras. Todos esses cruzamentos culminam, não sem conflitos, em reformas do próprio conceito de Estado em direção a um Estado Pós-Nacional, de caráter plurinacional.

Nesse contexto multicultural e multilíngue, em que os Estados não se concentram mais em tornar os cidadãos monolíngues na língua oficial do país, como nos séculos XIX e XX, mas lentamente reveem os seus objetivos, cresce o papel das línguas segundas e estrangeiras, do multiletramento, e, consequentemente, do ensino e aprendizado das línguas.

Os professores de línguas e o sistema escolar dos países do MERCOSUL têm procurado discutir e redimensionar a sua atuação, tentando lançar mão de novas metodologias e tecnologias, no seio das muitas contradições colocadas pelo momento histórico que atravessamos. A formação do docente, inicial ou continuada, segue sendo um desafio para as instituições de ensino superior dos países no contexto regional, dada a defasagem dos currículos e a burocratização da gestão das escolas e universidades.

O CIPLOM tem tido uma responsabilidade histórica com o português, o espanhol e o guarani, as línguas oficiais do MERCOSUL Político, e com o seu ensino. Nesta terceira edição, pretende dar continuidade a este compromisso, e ainda trazer, de forma decisiva, para a discussão, também os professores e gestores das demais línguas oficiais do MERCOSUL Geográfico, tanto as línguas oficializadas em nível nacional, como as oficializadas em nível regional ou local. Aqui nos referimos muito especialmente às línguas de sinais, às línguas indígenas e às línguas de imigração, de modo a melhor representar o multilinguismo continental e ampliar as discussões e demandas em torno da gestão das línguas e da diversidade linguística.

Para além de uma ampliação da participação dos profissionais dos Estados Membros do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela e Bolívia (que aguarda as últimas providências para uma adesão plena ao bloco), o III CIPLOM pretende ainda ter uma presença ampliada de profissionais dos países associados ao Mercosul – Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname – e que já são membros da UNASUL – a União das Nações Sul-Americanas, diversificando, assim, as temáticas e os circuitos de discussão.

Santa Catarina é um dos estados mais multilíngues do Brasil e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) se orgulha de sediar o III CIPLOM, ao mesmo tempo em que acolhe o III Encontro das Associações dos Professores das Línguas Oficiais do MERCOSUL (III EAPLOM), com as pautas próprias do mundo associativista, e realiza, concomitantemente, a X Semana de Letras que, na sua décima edição, internacionaliza-se e abraça também os horizontes do MERCOSUL e da América do Sul.

Esperamos professores, pesquisadores, estudantes, gestores e demais interessados no amplo espaço de discussão propiciado pelos III CIPLOM e III EAPLOM, em Florianópolis, Ilha de Santa Catarina, Brasil, para avançar na construção do MERCOSUL Linguístico, Cultural e Educacional.

 

2. PÚBLICO ALVO

O congresso está voltado a investigadores, professores, estudantes e profissionais da educação de modo geral, que atuam na área de ensino das línguas oficiais do MERCOSUL, o português, o espanhol e o guarani, como língua materna, estrangeira e segunda, e também no âmbito das línguas de sinais, das línguas indígenas e das línguas de imigração, crioulos e línguas de fronteira, no desenho de currículos e no desenvolvimento de políticas linguísticas e culturais para a educação na região. Além desses, o evento destina-se às instituições governamentais, às autoridades e gestores educativos, bem como às associações e federações de professores de línguas.

 

3. EIXOS TEMÁTICOS
  • Políticas de gestão do multilinguismo e a integração regional.

  • Formação de professores e ensino-aprendizagem de línguas em contextos multilíngues.

  • Perspectivas interculturais e críticas na formação de professores e no ensino das línguas oficiais do MERCOSUL.

  • As línguas de sinais e o seu ensino no Espaço Regional.

  • As línguas indígenas e as línguas de imigração no Espaço Regional e o seu ensino.

  • Experiências de fronteira e contato linguístico.

  • O lugar da prática tradutória nos trânsitos culturais no espaço Regional.

  • Projetos políticos e pedagógicos para o ensino e a aprendizagem de línguas.

  • Diversidade linguístico-cultural e patrimônio linguístico.

  • Práticas e projetos de letramento em diferentes níveis de ensino e aprendizagem.

  • Políticas editoriais para os materiais destinados ao ensino e à aprendizagem de línguas.

  • Avaliação e desenvolvimento de materiais para o ensino e a aprendizagem de línguas.

  • Cooficialização de línguas, direito linguístico e legislação linguística.

  • Avaliação de aprendizagem em línguas estrangeiras e segundas.

  • Exames de proficiência e certificação em línguas estrangeiras e segundas no espaço sul-americano.

  • Novas tecnologias no ensino-aprendizagem de línguas e no desenvolvimento de aplicativos e ferramentas para a promoção das línguas.

  • Projetos políticos e pedagógicos para a manutenção e a consolidação das línguas do MERCOSUL como línguas de herança das populações emigrantes.

 


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